| NOTA DE INTENÇÕES
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A viagem de 98 octanas faz-se de uma dupla geografia. Percorrendo
o país através de sucessivas áreas de serviço,
Dinis e Maria são náufragos de um tempo cuja violência
conhecem demasiado bem, mesmo se não sabem que palavras
dizer ou que gestos executar para resistir a todas as suas manifestações
quotidianas. Utopicamente (mas eles já não sabem
o que seja a utopia), seriam um par romântico entregue ao
fascínio do seu próprio enigma. Na verdade, deslocam-se
em direcção a esse ponto de fuga que é a
avó de Maria como quem pergunta: será que temos
uma história? Será que ainda podemos ter uma história?
Fernando
LOPES